sexta-feira, 8 de abril de 2011

127 Horas


Finalmente assisti 127 Horas do diretor Danny Boyle. Gostaria de dizer que 'Mr. Boyle' continua a não me decepcionar. O filme conta a história real do alpinista Aron Ralston (James Franco), que teve seu braço preso por uma pedra, por cinco dias (façam as contas), durante uma escalada em 2003, no estado de Utah, nos EUA.   


Diferente de alguns outros cineastas, o inglês Danny Boyle não parou no tempo. Sua direção sempre nos apresenta novas formas de contar uma história. Prova disso são os excelentes Extermínio, Quem Quer Ser Um Milionário e o injustiçado Sunshine: missão solar (outro dia falo sobre esse especificamente). E na minha opinião 127 Horas não deve nada a seus antecessores. Com cortes dinâmicos  e montagem ágil, a direção introduz o comportamento frenético e aventureiro de Aron Ralston.


Boyle também brinca com a divisão da tela em várias cenas, nos empurrando mais informações do que a percepção poderia captar. Em vários momentos lembra a montagem 'neurótica' de Réquiem para um sonho do  diretor Darren Aronofsky.


Além disso, o diretor explora todas as possibilidades de ângulos, enquadramentos, câmeras subjetivas, câmeras digitais, hadycam, lentes grande angulares e sobreposição de  imagens. Um verdadeiro liquidificador da vida real que se mistura as inúmeras possibilidades de mídia, informação e comunicação. Uma curiosidade interessante é que Boyle utilizou a mesma handycam utilizada por Aron Ralston quando ficou preso no Blue John Canyon.


Outro aspecto interessante de 127 Horas é a fotografia. O cenário exuberante do canyon é uma locação de tirar o fôlego. A paisagem da piscina natural de água cristalina onde os personagens se divertem em um trecho do filme é magnífica. Outros traços da personalidade da personagem vem a tona e sugerem um Aron Ralston autosuficiente, quase onipotente. Ao escolher o canyon para desbravar, a personagem não avisa ninguém onde estará e em outro momento declina educadamente de companhia para completar sua jornada. Aspectos de sua psique explorados com mais profundidade no desenrolar da história.



Entretanto, o espaço aberto do deserto da lugar a uma depressão onde nosso personagem fica preso o restante da projeção. Daí, o difícil e interessante desafio da fotografia trabalhar neste set claustrofóbico. Em vários momentos Boyle contou com a consultoria do verdadeiro Aron Ralston para estudar soluções de direção.

Danny Boyle com Aron Ralston


Mas um dos aspectos que mais me chamaram a atenção, sem dúvida foi a trilha sonora de 127 Horas. Produzida pelo premiado A. R. Rahman, foi indicado ao Oscar 2011 nas categorias Melhor Trilha Sonora e Melhor Canção Original (nesta categoria interpretada pela cantora britânica Dido). Em 127 Horas Rahman aposta na trilha original do verdadeiro Aron Ralston. Ao ponto de fazer o ator James Franco decorar a letra das bandas preferidas de Ralston com a intenção de tornar o filme mais realista.


Os ruídos e efeitos sonoros são estridentes e esquizofrênicos. Guitarras e distorções agudas tomam conta a medida que o filme se aproxima do clímax. De forma apropriada, Rahman marca a hora da verdade de Aron Ralston, com uma trilha agonizante, que traduz o desespero da personagem para se livrar da situação em que se encontra.



Para alguns, as falas debochadas e devaneios da personagem satirizando a própria situação, tiraram o drama da história. Na minha opinião tornam suportáveis os momentos de extrema agonia e clausura  vivido por ele. Assim como Aron Ralston, Danny Boyle é um vitorioso. 127 Horas é uma excelente pedida para o final de semana.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

RACISMO e outros 'ISMOS'

Desenho Pavão Mc

Não satisfeito em apoiar a volta do regime militar - que torturou e matou inúmeros brasileiros e brasileiras - e recentemente se assumir como racista e homofóbico em rede nacional (e se espremêssemos mais não tenho dúvidas que encontraríamos outras facetas adoráveis da sua personalidade), o senhor 'Jair Bolsonaro' continua soltando 'pérolas' a imprensa. E de tanto ler e ouvir as 'confortáveis' declarações desta persona, resolvi homenagear o 'ilustre' Deputado Federal com um singelo desenho, que no meu imaginário, o representa perfeitamente. Sim, ele é nosso deputado e está em seu quinto mandato. Isto, por si só, já é sintomático. Mas vivemos em um país de grandes contradições. Aliás, quer contradição maior do que Bolsonaro ser membro da Comissão Parlamentar de Direitos Humanos e Minorias na Câmara? Não é novidade também que o Brasil é um país racista e homofóbico. O que me incomoda é o fato do 'nobre deputado', do auto de sua vida pública, realmente sentir-se confortável e seguro em vomitar essas verborragias nazistas na televisão. Sem constrangimento ou arrependimento aparente. Ele confirma suas convicções com a mesma veemência de quem parece ser o único lúcido em um país de lunáticos. Provável que em seu mundo 'eugênico' e 'suástico' o 'cavalheiro' em questão, acredite estar realmente certo. Imagino que ou a sua assessoria de comunicação esconda o rosto ao passar nos corredores do parlamento ou agradece aos céus por ter o trabalho mais fácil do mundo. Pois o bom senso passa longe e mesmo o manual de civilidade do 'politicamente correto' é ignorado por ele. Enfim, faço votos para que seu mandato seja caçado, sua vida pública execrada e que seja banido definitivamente da política brasileira. Se algo de bom pode ser tirado deste episódio, é o fato de que Bolsonaro deu cara, cor e gênero ao preconceito no parlamento. Diferente de outros parlamentares que, dissimuladamente, emperram a real e profunda discussão sobre justiça social no país.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Pavão Perigoso


Desenho Pavão Mc

DVD AQuilombando - Haiti


Foto Estúdio Cajuína

Música 'Haiti' na gravação do DVD AQuilombando. A parte mais legal foi produzir a gravação, ensaiar com a banda, acertar a iluminação, o cenário, figurino, camarim, som, vídeo e etc. Agora vem a parte mais chata do processo, mixar e editar. Muita calma que vai sair. Por enquanto só aperitivos.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Blinky


Blinky™ from Ruairi Robinson on Vimeo.

http://www.vimeo.com/21216091

Uma palavra sobre o curta 'Blinky': sensacional! Um conto de suspense futurista que parece uma mistura de 'Blade Runner' com 'Alfred Hitchcock' e 'O Silêncio dos Inocentes'. O curta-metragem foi escrito e dirigido pelo irlandês Ruairi Robson e conta com o design de som da competente Echolab. O curta tem ainda a ilustre participação de Max Records, protagonista do excelente 'Onde Vivem Os Monstros'. Recomendadíssimo! Assistam e fiquem chocados! 

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Cácto Brasil

Desenho Pavão Mc


Homem com fome
Consome
Some
Sem força,
Se enforca
Em falsa fé
Some fraco
No aperto da nuvem
Espera infame,
De chuva ao faminto
Minto!
De sono profundo
Infinda sacia
Homem com fome
se inflama
queima a caatinga
Com fome
afana até fel
Fome
Não some,
Só soma
Inani e mina,
O espírito em transe,
que sonha enfartar,
não ele,
a família.
(Poesia Pavão Mc).

Gaya


Desenho Pavão Mc